O acesso geográfico é um dos pilares fundamentais da equidade em saúde. No Brasil, as dimensões continentais e a concentração de serviços de alta complexidade em polos urbanos criam um desafio invisível: o ônus do deslocamento. Para um paciente, a distância entre sua residência e o local de tratamento não é apenas uma métrica de quilometragem, mas uma barreira que impacta diretamente a adesão, o custo do cuidado e os desfechos clínicos.
A Análise de Localização e Distâncias permite transformar endereços e códigos de municípios em insights estratégicos. Mais do que saber onde os pacientes estão, essa metodologia revela a eficiência da rede de atendimento e o esforço logístico imposto ao paciente para acessar terapias essenciais.
Para as áreas de Acesso, Marketing e HEOR, mapear a geografia do tratamento permite:
Neste projeto, utilizamos ferramentas de Big Data para cruzar as bases do DATASUS (SIA/SIH) com APIs de roteirização (como OSRM). Ao processar as coordenadas de latitude e longitude dos municípios de residência e atendimento, calculamos não apenas a distância em linha reta, mas a distância real por rodovias e o tempo estimado de viagem.
O desafio técnico envolve a limpeza de registros com endereços inconsistentes e o processamento em escala de milhões de rotas para gerar indicadores estatísticos robustos de deslocamento.
Analisamos uma amostra de 25.594 registros de procedimentos de transfusão de concentrado de hemácias (código Sigtap 0306020068) no período de 2011 a 2024. Os resultados revelam uma dependência crítica de deslocamento intermunicipal:
As disparidades regionais são evidentes: enquanto no Sudeste a média de deslocamento é de 111,9 km, no Centro-Oeste esse valor sobe para 274,8 km, com tempos de viagem que chegam a dobrar devido à infraestrutura e distribuição dos serviços.
Nossa consultoria utiliza a inteligência geoespacial para fornecer uma visão detalhada da jornada do paciente:
Ao dominar o geoprocessamento em saúde, a Pesquisa e Dados entrega inteligência que move o ponteiro do negócio e reduz a distância entre o paciente e o seu tratamento.
Referências:
[1] Skaba, D. A., et al. Geoprocessamento dos dados da saúde: o tratamento dos endereços. Cadernos de Saúde Pública, SciELO.
[2] Pereira, R. H. M., et al. Desigualdades raciais e de renda no acesso à saúde nas cidades brasileiras. Repositório IPEA, 2022.
[3] Fiocruz. Geographic accessibility to hospital childbirths in Brazil (2010-2019). The Lancet Regional Health - Americas, 2025.