A demência é caracterizada por um declínio cognitivo significativo que interfere na independência do indivíduo. A Doença de Alzheimer (DA) é sua forma mais comum, respondendo por cerca de 60% a 70% dos casos de demência. No Brasil, com o envelhecimento acelerado da população, a prevalência estimada chega a 5,2% em indivíduos com mais de 60 anos.
Neste projeto, analisamos a dinâmica de atendimentos no SUS, extraindo insights dos bancos de dados SIHSUS (Hospitalar) e SIASUS (Ambulatorial e Medicamentos). O foco é transformar dados em evidências de mundo real (RWE) para apoiar as decisões em saúde.
O gráfico da figura 1 mostra o volume total de pacientes por ano. Destaca o crescimento de 53.458 pacientes em 2008 para picos acima de 114 mil em 2014-2015, permitindo visualizar a estabilização recente e a queda observada em 2024 (92.120 registros).
A análise de mais de 353.604 registros revela um perfil demográfico bem definido: a maioria dos pacientes são mulheres (64,6%), com uma média de idade de 75,98 anos. Geograficamente, há uma concentração massiva de registros e custos na região Sudeste (63,4%), evidenciando disparidades regionais ou de capacidade diagnóstica no país.
A figura 2 é um mapa interativo do Brasil onde a cor representa o volume de registros por região. O gráfico à direita mostra a distribuição por Raça/Cor: Branca (21,36%), Parda (9,11%) e um expressivo percentual de 66,31% sem informação, o que aponta para um gap crítico de preenchimento nos registros.
Ao analisarmos os custos, o cenário é dominado pela assistência farmacêutica de alto custo. Enquanto o custo total hospitalar acumulado (2018-2024) foi de aproximadamente R$ 14,1 milhões, os gastos com medicamentos como Donepezila, Galantamina e Rivastigmina ultrapassaram os R$ 862 milhões. Os dados ambulatoriais revelam que a maioria dos procedimentos realizados está ligada à fisioterapia e exames de imagem, como a Tomografia Computadorizada, que figuram entre os top 5 atendimentos.
O Diagrama de Sankey, da figura 3, mostra a origem dos gastos (Medicamentos, Hospitalar, Ambulatorial) fluindo para os totais. A espessura das linhas mostra visualmente que os medicamentos (com a Donepezila 10mg sendo o mais volumoso, com 4,5 milhões de unidades distribuídas) representam a maior fatia do investimento público direto.
Os dados confirmam que a Doença de Alzheimer impõe um fardo crescente e custoso ao sistema público brasileiro. A predominância de internações com tempo médio de permanência prolongado de 21 dias reforça a necessidade de políticas focadas no manejo ambulatorial e no suporte ao cuidador, a fim de evitar a descompensação hospitalar.
Este projeto demonstra como o monitoramento contínuo de dados de mundo real é essencial para ajustar as estratégias de cuidado e alocação de recursos em uma nação que envelhece rapidamente.
Referências:
[1] Aliberti MJR, Apolinario D, Jacob-Filho W, Ribeiro ALP, Bittencourt MS, Lotufo PA, et al. Dementia in Brazil: National Report 2024. Rev Saúde Pública. 2025;59:17.
[2] Kumar A, Sidhu J, Lui F, Tsao JW. Alzheimer Disease. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.