APAC Quimioterapia: 25 Milhões de Registros do DATASUS
Engenharia e análise da APAC de quimioterapia (2015–2021): gasto público, impacto da Covid-19 e perfil demográfico do tratamento oncológico no SUS.
A APAC (Autorização para Procedimentos de Alta Complexidade) foi lançada no SUS em 1998 para autorizar, controlar e avaliar processos, suprindo o sistema com informações qualificadas. Neste projeto avaliamos a APAC de quimioterapia usada na liberação do tratamento de pacientes com câncer no Brasil, guiados por duas perguntas: qual o gasto do governo de 2015 a 2021 e se a pandemia da Covid-19 impactou o número de atendimentos oncológicos.
Foram analisados dados de todos os estados brasileiros de 2015 a 2021 — 64 colunas e aproximadamente 24.249.278 de linhas. Os dados foram tratados evitando a multiplicidade de pacientes, considerando cada paciente como um único registro por ano.
Volume de Procedimentos e o Efeito da Pandemia
O número de procedimentos totais aumentou ao longo dos anos, com o pico em 2021 (3.925.282 atendimentos) e o menor volume em 2015 (3.014.786). Os procedimentos refletem a quantidade de vezes que o paciente realizou um procedimento ambulatorial previamente aprovado.
Taxa de Pacientes por 100 mil Habitantes
Entre as mulheres, a taxa de pacientes/habitantes cresceu ano a ano, com pico em 2021 (150 pacientes por 100.000 habitantes) — o aumento ocorreu mesmo durante a pandemia. Já entre os homens, não houve aumento significativo entre 2019 e 2021, mantendo-se estável em 95 pacientes por 100.000 habitantes.
Onde o Dinheiro é Gasto: Grupos Tumorais
Agrupamos os tumores em 12 grupos principais de CID. O câncer de mama lidera com folga: 1,32 milhão de procedimentos e R$ 3,84 bilhões gastos no período, chegando a R$ 654 milhões só em 2021. Tumores com gasto anual superior a R$ 100 milhões são Mama, Digestivo, Hemato e G Masculino; os cânceres endócrinos têm o menor volume e gasto.
A demografia reforça o achado: as mulheres são acometidas mais jovens (pico em 45–49 anos, ~292 mil pacientes) e os homens mais seniores (pico em 70–74 anos, ~228 mil). A partir de 2019, passaram a morrer mais mulheres que homens por câncer no Brasil — uma alternância que merece investigação para políticas públicas. SP concentra o maior gasto: R$ 5,24 bilhões e 126 mil pacientes em 2021.