CID C34 Confidencial Sobrevida

Análise de Sobrevida (Kaplan–Meier)

Curvas de Kaplan–Meier para medir tempo-até-evento no SUS: sobrevida do câncer de pulmão por subtipo histológico, com teste de log-rank.

195 Meses (mediana exemplo)
25 vs 17 Adeno vs escamoso
p<0,005 Log-rank

Uma das análises mais frequentes em saúde é medir o tempo que um evento demora para acontecer. A estimativa de Kaplan–Meier (KM) é um método eficaz para medir o tempo de sobrevida de uma população após um tratamento — e, mais genericamente, o tempo até eventos de qualquer natureza (análise time-to-event). Isso a torna muito útil em pesquisa clínica e em estudos de Real-World Evidence (RWE).

Desfechos que a Kaplan–Meier Permite Medir

  • Sobrevida oncológica

    Tempo do diagnóstico ou início de tratamento até a morte de pacientes com câncer.

  • Progressão da doença

    Tempo até a metástase ou recorrência local de um tumor.

  • Readmissão hospitalar

    Tempo até readmissão após alta médica — ex.: pacientes com asma.

  • Outros eventos

    Tempo até o encerramento da amamentação, fechamento de feridas, recorrência de cálculos biliares e muitos outros.

A Mecânica da Curva e a Censura

A função de sobrevida é a probabilidade de o desfecho não ocorrer em cada momento do tempo — o produto acumulado do complemento da função de risco (hazard). Como trabalhamos com dados de mundo real (RWD), é frequente que nem todos os dados sejam conhecidos no momento da análise (ex.: falha de follow-up). Esses pacientes são censurados: não são contados como vivos nem mortos a partir da censura. Considerar a censura é essencial para não subestimar o resultado.

Figura 1 — Curva de KM em dataset de demonstração. No mês 0, 100% dos pacientes vivos; no mês 195 (~16 anos), 50% — a mediana de sobrevida; no mês 340 (~28 anos), ~18%.

Comparando Subtipos: Câncer de Pulmão no RCBP

Utilizando o Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP), avaliamos quanto tempo, desde o diagnóstico até a morte por qualquer causa, vivem os pacientes com câncer de pulmão no SUS. Dividimos os pacientes em dois grupos histológicos: adenocarcinoma e carcinoma de células escamosas.

Figura 2 — Sobrevida por subtipo (RCBP). Mediana: Adenocarcinoma 25 meses; Células escamosas 17 meses. Teste de log-rank p<0,005 — as funções de risco não são iguais.

Ao comparar duas curvas, é fundamental um teste de hipótese para as distribuições de sobrevida. O mais utilizado é o log-rank, que compara as funções de risco dos grupos em cada tempo observado e determina o valor-p. Aqui, p<0,005 — não podemos considerar as funções de risco iguais; a diferença fica clara nas medianas (25 vs. 17 meses).

Referências

Goel MK, Khanna P, Kishore J. Understanding survival analysis: Kaplan-Meier estimate. Int J Ayurveda Res. 2010;1(4):274-8.

Miksad RA, Abernethy AP. Harnessing the power of real-world evidence (RWE): A checklist to ensure regulatory-grade data quality. Clin Pharmacol Ther. 2018;103:202-5.

Data On File · Pesquisa & Dados, 2025